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Desde: 10/10/2003      Publicadas: 17      Atualização: 07/11/2003

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 História

  07/11/2003
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Ed Motta

Ed Motta não é músico. Ele é música, da cabeça aos pés. Canta, toca, compõe, produz e arranja. Mas, além disso, respira música 24 horas por dia, colecionador incansável que é. Discografias, formações, instrumentos, produtores, estúdios, contexto histórico... tudo entra na cabeça e sai no som desse apaixonado pelo jazz, soul, funk, reggae, dub, rock, musicais da década de 30 e pop.

O último, aliás, é o gênero que Ed reencontra no novo trabalho, após o aclamado disco instrumental "Dwitza". Nomeado por sua esposa e comparsa Edna, "Poptical" é exatamente o que o título, trocadilho com o termo optical art (que designa a escola da arte da ilusão de ótica), promete: expressão artística genuína em formato pop. A começar da capa, obra por si só, criada pelo próprio Motta e realizada à moda antiga,onde a repetição de imagens foi obtida através de espelhos sem o uso de computadores.

Disposto dessa vez a enxugar as orquestrações sempre com muitas sessões de cordas e metais em suas gravações, ele optou por um combo sonoro composto por baixo, bateria, guitarras e muitos, muitos sintetizadores diferentes. A lista é maior até do que a gama de letristas, chamados a cumprir a única função que Ed Motta dispensa mas que se alia com lucidez com aqueles que darão a narrativa da canção para as suas harmonias e melodias.

Com letra de Nelson Motta, "Minha Casa, Minha Cama, Minha Mesa" abre o disco. Trata-se de um tema com tempo médio que Ed adora, vide as antigas "Baixo Rio", "Vendaval" ou "Dez Mais Um Amor". Mas aqui o samba-jazz de João Donato influencia (cada vez mais) a visão rítmica de Ed Motta, e se mescla com a raiz do funk dos 70's, base inicial da musicalidade dele.

Por falar em funk music, esse é o espírito de "Tem Espaço Na Van". A combinação do texto bem humorado do Seu Jorge com o groovão remete aos tempos do Conexão Japeri.

"Eu Avisei" é o pop refinado de pinceladas jazzísticas dos últimos trabalhos de Ed com a nova parceria de Adriana Calcanhotto e seu texto sofisticado e pessoal.

"The Rose That Came To Bloom", primeira balada do disco e também a primeira faixa que Ed grava apenas com piano acústico e voz, poderia fazer parte de algum desenho animado da fase áurea dos estúdios Disney ou de um musical da broadway. Os versos, em inglês, foram escritos por Bluey, líder do Incognito (um dos nomes mais famosos do acid jazz londrino do início dos 80's), a quem "Poptical" é dedicado.

Graças em grande parte à bela sacada de carregar na timbragem oitentista, "Que Bom Voltar" é uma canção como diria Ed "Califórniana-Tijucana". Com texto do paulista Daniel Carlomagno prova-se que é uma bobagem a velha rixa Rio - SP.

Na sequência vem "Coincidência". Espécie de prima mais crua da anterior, é recheada com Ed tocando com o som peculiar do piano eletrônico RMI - muito usado pelo mestre do dub Lee Perry e pelo espacial-jazz de Sun Ra.

"Rainbow's End", a segunda escrita em inglês (por Ronaldo Bastos), é uma valsa com vocal escolado ora nas divas do jazz, ora nas raízes do choro. O autor define melhor: "A imagem que eu gosto pra ela é numa ilha, de smoking branco, tomando um drink de abacaxi". Mais um acerto "de época" da dupla que fez um clássico recente da MPB, o fox-blue "Outono no Rio".

A oitava faixa é "Pra Se Lembrar", na qual Ed faz uso de alguns dos primeiros pianos e baterias eletrônicas do mundo. Canção alegre vestida em sonoridade retrô-futurista. Letra do músico que Ed mais admira da nova safra brasileira: Jair Oliveira.

Em "My Rules", a afinação da caixa de bateria bem grave com "feel" jazzístico de Renato "Massa" Calmon e o uso do vazio são características marcantes - aos olhos do autor - da música em inglês letrada por Fábio Luiz, mais conhecido como ParteUm, produtor e rapper do grupo Mzuri Sana.

Já "O Fox do Detetive" é um crime-jazz-fox com influências de Ennio Morricone e Henry Mancini, totens das trilhas de cinema com solo de baixo acústico de Alberto Continentino. Fora do universo jazzístico é um tanto raro se ver um solo de baixo acústico. Já em "Gifts and Sorrows" tio Stevie Wonder e Donny Hathaway são, segundo Ed, influências chave da música onde o piano eletrônico RMI - que aliás aparece na contra-capa do disco - é mais uma vez usado com direito a solo.

Pra encerrar "Poptical", uma composição de quase 8 anos atrás nunca gravada com letra de Zélia Duncan. Encrementada por um teclado dos anos 40, "Quem Pode Surpreender?" é, nas palavras de Ed, "um encontro da tristeza do tango-choro canção com o ritmo da brisa cubana". O solo de piano post-bop-jazz de Rafael Vernet reforça o clima reflexivo que Motta quis imprimir ao fim do álbum.... Ou da eterna dúvida sempre desejada por Ed Motta; será o próximo um disco de jazz, uma operetta, um ao vivo ou eletrônico?

Aguardem os próximos capítulos....

  Autor:   www.edmotta.com.br - Rodrigo Brandão


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